Rodrigo Pires é niteroiense, nascido em São Francisco. Conhecido também como Rodrigo do Comrua, um servidor da dança, que gosta de proporcionar oportunidades aos novos talentos e que divide as conquistas com seus dançarinos. É também, algo que pode surpreender muitos, advogado pós-graduado em Direto Civil, porém não atua no momento nesta área.Quais os estilos de dança com que trabalha ou pratica?
Trabalho mais com as Danças Urbanas e Danças Inclusivas, mas sempre estou em busca de estudar outras linguagens.
O que te fez entrar no mundo da dança? Quando você tomou a dança como profissão?
Entrei nesse mundo fascinante em agosto de 1995 no Ballet Helfany e Jânia, fiz aulas com os professores Bruno Beltrão e Rodrigo Bernardi a convite de um amigo que queria me ajudar, porque eu era muito ruim dançando (risos). Junto com a dedicação nas aulas e ensaios, a dança virou minha grande paixão e tornou-se profissão em 1996 quando fiz audição para o GRN – Grupo de Rua, do coreógrafo Bruno Beltrão. Em 1997, conquistei o meu registro profissional pelo Sindicato dos Profissionais da Dança do Rio de Janeiro. Hoje em dia, trabalho como profissional na Comrua – Companhia de Dança de Rua de Niterói, Cia. Corpo em Movimento (cadeirantes) e faço parte da equipe Dance com Fly que proporciona as minhas aparições na mídia.
Quando e como surgiu a Companhia de Dança de Rua de Niterói - Comrua?
A Comrua surgiu em 26 de Outubro de 1998 na Camarim Escola de Dança com o intuito de divulgar a cidade de Niterói para o mundo. Mesmo sem nome algum no meio artístico, a primeira audição obteve quase 50 dançarinos. Desde esta data mantemos a tradição de criar e destacar novos talentos. Hoje em dia, a Comrua possui 55 prêmios e, com muito orgulho, posso destacar 2 especiais que foram dados pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e pela Cruz Vermelha Nacional.
Quem são suas influências artísticas? Quais ajudaram a criar a sua forma de dançar?
No início da minha carreira, as influências artísticas eram o Michael Jackson, Mc Hammer, Helfany Peçanha, Emílio Martins, Caio Nunes, Renato Vieira, Marcelo Cirino, Carlinhos de Jesus, You Can Dance, Faísca e Fumaça, Octávio Nassur e o Bruno Beltrão. Hoje em dia, existem muitas outras a acrescentar como o Fly, Pâmela Oliveira, Rodrigo Soninho, Luana Simpson, Carol Vieira, Roberta Apratti, Rafael Silveira, Allan Lemaja, Nobru de Souza, Danilo D`alma, Wanda Garcia, Bárbara Lima, Fernando Azevedo, Natália Valdannini, Gustavo Américo, Leonardo Bacollo, Filipi Ursão, Frank Ejara e muitos outros, existem grandes talentos fora do Brasil, mas a minha paixão e inspiração ainda corresponde aos gigantes nacionais! Todos eles me inspiram e influenciam diariamente em minha forma de dançar!
Com a sua experiência como coreógrafo, quais os elementos que formam uma boa coreografia?
Identidade, criatividade, imprevisibilidade, expressividade e energia.
Diversos grupos tentam colocar todos os estilos de danças urbanas dentro de uma coreografia para os festivais. Qual a sua opinião sobre isso?
Acho legal a ideia dos grupos procurarem trabalhar diversos estilos dentro de uma coreografia, mas sempre é bom estudá-los antes, vejo muitos grupos que alternam e até misturam estilos, mas que não se preocupam em estudar a fundo o que querem propor, aí vejo a ideia, mas não vejo a técnica. Se não sabe a técnica, melhor não expor a ideia e trabalhar somente com o que se tem pleno conhecimento.
Você fez um comentário muito legal no texto “Danças Urbanas no Brasil: o tempo muda” escrito pela Suzana Amaral para o DANCEcast sobre como era mais trabalhoso conseguir músicas antes. Como era essa atividade de buscar músicas no fim dos anos 90?
A Suzana fez um texto inteligentíssimo e acho que todos que vivenciaram aquela época tiveram vários “flashbacks”. A dita “geração youtube” realmente tem toda a informação e material em mãos e acho engraçado quando os vejo reclamar de falta de informação. Em 1996, não existia sequer o MP3, todo mundo tinha que comprar CDs ou baixar música em formato de 60 megas através da internet discada que demorava horas e a conta telefônica ficava muito mais cara do que comprar um cd!
Qual seu contato com outros estilos de dança ou manifestação artística?
Desde 2008 tenho estudado técnicas e me aperfeiçoado em todas as linguagens da dança para poder avaliar com pleno conhecimento diversos trabalhos em festivais como jurado. Sinceramente, me arrependo de não tê-las estudado antes, a dança me fascina em todas as suas manifestações e linguagens. Também faço aulas de teatro duas vezes por semana.
Que diferenças você nota no cenário da dança comparando quando você começou com os dias atuais?
Muita diferença! Antigamente, chegávamos em festivais e sabíamos de onde cada dançarino ou bailarino fazia parte simplesmente em olhar seus uniformes, os profissionais faziam coreografias com início, meio e fim e o tema era estudado e pesquisado. Existiam figurinos trabalhados e caros, antigamente respeitavam-se mais as pessoas que trabalharam muito para que nós tivéssemos o nosso espaço e a nossa oportunidade, todo professor realmente era qualificado para ser professor e as escolas e academias de dança cobravam isso. Hoje ainda existem muitas escolas e grupos que seguem essa linha, mas acho que as novidades tecnológicas estão mais presentes na dança o que faz de cada apresentação um show a parte! Ano passado, o sapateado em Joinville deu o seu recado!
Você já pensou em desistir da dança?
Acho que nunca pensei em parar de dançar, mas pela falta de incentivo por muitas vezes quase desisti de ser proprietário de companhia. Hoje em dia, conto com o patrocínio da Prefeitura da Cidade de Niterói, que apoia a Comrua em todas as suas viagens, que já um grande passo! Mas ainda é difícil sobreviver da dança, acho engraçado jogadores de futebol e artistas da televisão ganharem muito mais do que coreógrafos, dançarinos e bailarinos, afinal todos cumprem a mesma função: entreter e emocionar.
Deixe sua mensagem para os leitores do DANCEcast.
Aos grandes amigos profissionais da dança, cuidem das suas mentes, estudem, procurem o conhecimento e respeitem as pessoas que estão dispostas a dividí-los e lhes orientar, cuidem do seu corpo, procurem um médico regularmente, melhorem a sua alimentação, façam alongamento, aquecimento e relaxamento, seu corpo é seu instrumento de trabalho, seu templo! E não importa o quanto está difícil alcançar as suas metas, pensem positivo, acreditem e conseguirão! Mas não esqueçam jamais de praticar o bem para garantir uma boa noite de sono e sorrisos sempre! Obrigado a equipe DANCEcast por essa oportunidade!